Já falamos aqui no blog sobre a disputa comercial EUA vs China, mas parece que de alguma forma, a “fúria” americana chegou às nossas terras também.

No início de dezembro, presidente Donald Trump anunciou a retomada de taxas na exportação brasileira de aço, em suposta retaliação ao enfraquecimento (segundo ele) proposital da nossa moeda.

Em resumo, a nossa moeda estava fraca em relação ao dólar, que chegou bater a marca recorde de R$ 4, 206. Isso apesar de negativo no panorama geral da economia, favorece as nossas exportações para os EUA, dentre elas o aço e o alumínio. Então, Trump resolveu retomar antigas tarifas sobre esses insumos mitigando qualquer perspectiva de vantagem econômica nessa transação.

Segundo o presidente americano, Brasil e Argentina tem provocado voluntariamente uma desvalorização em suas moedas e isso prejudica os agricultores dos Estados Unidos que perdem em competitividade. Prontamente recebeu do Palácio do Planalto a resposta de que não há uma desvalorização proposital, e que o valor da nossa moeda tem sido afetado pela guerra comercial entre americanos e chineses.

Esse embate representa um baque não só econômico mas político, uma vez que o Governo Bolsonaro enxergava em Trump um aliado valioso, porém ficou claro que para o chanceler norte-americano vale a máxima “amigos amigos, negócios à parte”.

Para o mercado do comércio exterior brasileiro, retomar essas taxas sobre o aço e alumínio foi um balde de água fria para as projeções da balança comercial, pois isso torna o produto menos atrativo para os compradores. E isso é péssimo, pois os EUA são nossos maiores clientes nesse segmento, tendo importado cerca de 6 milhões de toneladas em 2018.

Até o momento, a medida ainda não entrou em vigor, e o governo brasileiro tem se comunicado com o americano para impedir que isso prossiga. Mas especialistas entendem que a situação só será revertida caso o Brasil ceda e tome as medidas necessárias para a recuperação da moeda nacional. O histórico de Trump como homem de negócios e como presidente, mostram que ele é muito firme quanto as suas posições e vai até o fim para conseguir um objetivo.

O Ministro de Relações Exteriores Ernesto Araújo, já afirmou que o Brasil não apresentará nenhum tipo de retaliação, e que o assunto será tratado pelos meios diplomáticos com diálogos e negociações.

De qualquer forma, esse revés ainda não afeta tanto as expectativas para o fechamento desse ano, pois como a economia ainda não embalou como o esperado, já se estima que teremos um superávit em torno de 41,8 bilhões e não mais os 56 bilhões anunciados no primeiro semestre. Não é o ideal, mas já se enxerga um movimento de melhora econômica e espera-se um 2020 de melhores resultados.

Portanto, não podemos dizer que o Brasil é um intruso na guerra comercial entre EUA e China, sofremos no máximo um dano colateral que serve para mostrar como ainda é importante ter cautela para operar no mercado internacional, mesmo que você seja chefe de estado.

Por isso, se a sua empresa precisa negociar internacionalmente, é bom contar com um profissional de comércio exterior para de poupar de batalhas desnecessárias.